
Descrição do VFO
Descrição do VFO
Começamos agora uma das partes mais difíceis do projeto (a mais difícil mesmo é a etapa receptora). Difícil pois a qualidade do sinal transmitido, a estabilidade da freqüência e os harmônicos gerados têm como fonte geradora esta etapa. Muito cuidado na escolha dos componentes e em sua disposição na montagem que influencia diretamente na qualidade do sinal gerado pelo VFO. O circuito escolhido é um Colpitts com realimentação capacitiva. O VFO consiste de cinco etapas: osciladora, isoladora, dobradora, filtro e bufer.
Etapa osciladora: esta etapa trabalhará na metade da freqüência do QRP, ou seja, em 3,5 MHz. Isso é feito para se evitar problemas de realimentação entre o sinal transmitido e o gerado pelo VFO, que pode causar um sinal "piado" e "choroso". O transistor escolhido é um simples FET BF245 e a bobina osciladora é do tipo com forma cilíndrica de 7 mm de diâmetro. Não foi usado um núcleo toroidal, pois aqui não é necessário um fator de Q elevado e o formato cilíndrico facilita o ajuste. Todos os capacitores utilizados nesta e nas demais etapas do VFO devem ser do tipo NP0 (NP Zero) ou de mica prateada. Os capacitores stiroflex, apesar de terem sido utilizados por muito tempo em circuitos osciladores, tem um grande problema com variações de temperatura ambiente, pois variações maiores que 10 ºC provocam alterações da ordem de 2 a 5% o que em nosso caso é muito grande. Foi incorporado um circuito de shift para provocar um deslocamento da freqüência de transmissão de aproximadamente 700 Hz.
Etapa isoladora: a função desta etapa é evitar que o circuito oscilador varie sua freqüência de trabalho quando ligado ao circuito que receberá o sinal gerado. Isto é chamado de efeito de carga. Este circuito também utiliza um transistor FET BF245. O capacitor de acoplamento entre a etapa osciladora e o circuito isolador deve ser o mais baixo possível, sendo da ordem de 22 ou 33 pF.
Etapa dobradora: aqui o sinal gerado é dobrado para a freqüência definitiva, ou seja 7,0 MHz. Para tanto utilizou-se um transistor BF494 e um circuito sintonizado na freqüência de 7,0 MHz com uma bobina cilíndrica também. O transistor escolhido é próprio para RF pois esta etapa exige características que outro transistor do tipo BC não poderia proporcionar. O ajuste da bobina dobradora deverá ser feito com uma ponta de RF, para o maior valor de tensão na saída.
Etapa Filtro: esta etapa tem a função de eliminar os sinais indesejáveis (fundamental, harmônicas não desejáveis e espúrios). É composta de um filtro duplo PI, usando núcleos toroidais , pois estes não necessitam de blindagem, alem de proporcionarem uma boa redução no tamanho do circuito.
Etapa Buffer: Também chamada de amplificadora. Os sinal proveniente do filtro, agora em 7,0 MHz é amplificado de forma conveniente para poder ser empregado na demais etapas (TX e RX).
Especial atenção deve ser dada aos seguintes detalhes:
Capacitor variável da etapa osciladora. Em muitos projetos utiliza-se um capacitor variável igual aos utilizados em rádios portáteis, ou seja, com dielétrico de plástico. Isso não é recomendável pois esse tipo de capacitor não tem a rigidez mecânica necessária a um bom VFO. Minha sugestão é a utilização de um variável de metal, fixado na própria placa do circuito do VFO, e utilizar fios rígidos na sua ligação com os demais componentes. O eixo do capacitor variável deve ser isolado de forma a evitar que a capacitância parasita causada pela mão do operador cause oscilação de freqüência; isto pode ser feito utilizando-se o corpo de uma caneta BIC. As bobinas deverão ser coladas à placa com cola epoxi do tipo araldite. Todos os componentes devem ser soldados com os terminais o mais curto possível. Utilizar placa de fibra de vidro para a confecção da placa de circuito impresso, pois os demais tipos apresentam um alto índice de absorção de umidade. Quando da montagem em sua respectiva caixa, fazer uma blindagem fechada e uma fonte de alimentação independente